3.11.07

O grande plano

Cheguei agora da estreia da versão teatral de Sonata de Outono. Que falta fazem os grandes planos. O texto é forte, embora algo derivativo face a outras coisas de Bergman: a família como teatro de recriminações («é como se o cordão umbilical nunca tivesse sido cortado») e o artista como monstro moral («a noção de realidade exige um certo talento»). E nunca me senti completamente confortável com a utilização da deficiência como artifício dramático (Bergman também usou isso em Lágrimas e Suspiros). Mas sobretudo sinto muita falta dos grandes planos, na contra-cena ou na leitura das cartas, por exemplio. Bergman era um homem do teatro mas escrevia para cinema e sem a linguagem do cinema perde o seu núcleo fundamental.